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O ponto da dor. O ponto da expansão.

Pode ter certeza que você vai encontrar suas dores mais profundas e mais difíceis de serem sentidas, quando se colocar na direção do seu crescimento verdadeiro.


Escrevo esse texto e um filme passa pela minha cabeça com momentos que vivi e vivo até hoje, em que precisei me abrir para atravessar lugares que me assustavam completamente. Outras tantas imagens de pessoas que acompanhei como terapeuta e como companheira de jornada, sentindo a vulnerabilidade e a dor, atravessando as resistências, o tremor, o coração disparado, o choro profundo que brota da alma e podendo sentir a expansão e a conexão com o coração que brotaram dessa coragem de tocar ali.


É verdade que, durante um tempo inicial, muitas vezes é necessário não mirar muito nos pontos vulneráveis, mas sim cultivar raízes, estruturar suas bases internas e movimentar sua vida prática e as necessidades mais humanas de sobrevivência e pertencimento, para ter um senso de identidade básico e uma sensação mínima de segurança.


Acontece que muitos de nós se perde aí nesse ponto inicial. Construímos verdadeiras zonas de conforto, passamos a acreditar que o crescimento é igual a bem-estar e àquilo que inicialmente era construção de base, rapidamente se transforma numa superproteção que nos impede de nos abrirmos ao movimento mais profundo da nossa alma e aos riscos do verdadeiro crescimento.


Vamos tentando burlar o contato com nossos desconfortos e dores mais profundas, tentando controlar o que foge da nossa sensação de segurança, até que a vida em sua ciclicidade e impermanência nos tire o brilho de viver, o sentido da caminhada ou nos leve a vivenciar a apatia, a anestesia interna, o medo, a ansiedade, a depressão, a desconexão com nossa vitalidade original, a sensação que habitamos um corpo e uma vida bem aquém do nosso potencial verdadeiro.


Esse processo não é uma punição do além, porque você se perdeu na zona de conforto. É a força da vida, em sua compaixão irada, trazendo o sacode do despertar, te fazendo lembrar que o tempo é curto e que a vida pede de nós coragem de viver aquilo que viemos viver, nosso movimento real de expansão, nos tornamos árvores frondosas que, a seu próprio modo particular, cresce e dá frutos.


Assim, depois do sacode, quando você entende o recado da vida, se anima para buscar o conhecimento de si mesmo, para crescer e por fim se comprometer de fato com a direção do crescimento, é surpreendido por um muro de concreto que se traduz nas mais variadas formas de resistências. As resistências que nos ajudam a sobreviver e nos impedem de morrer ou adoecer quando somos crianças, dependentes e vulneráveis, mas que se tornam nosso maior obstáculo no caminho do amadurecimento.


Isso se dá porque atravessar essas resistências não é tarefa simples. Ali atrás delas, estão as nossas maiores feridas. Àquelas que pela escolha racional da mente nunca vamos de fato querer encarar. Àquelas que nos amedrontam, que fazem o corpo tremer, a boca secar e fechar, o corpo travar, o coração disparar te mandando fugir ou lutar.


E é exatamente quando você chega nesse ponto, que o mais importante é ter espaço interno e recursos de apoio e sustentação para não sucumbir ao desejo automático de fugir ou lutar, mas sim conectar com a sabedoria que ampara e que te diz para confiar e aprender a atravessar…


Como? De muitas maneiras, tantas possibilidades e tão peculiares quanto o número de pessoas que existem nesse universo, mas nenhuma brotará da esperteza da mente.


É ali no coração, onde a vida pulsa, que você vai conseguindo abrir o caminho. Ali no corpo onde as couraças se formaram que você vai aprender a escutar e cuidar do que está nas profundezas do seu ser.


É ali que você vai abrir o caminho, ganhar lucidez para fazer novas escolhas, buscar recursos e apoio para realizar as travessias e crescer.


É ali. No ponto de onde você precisou fugir estrategicamente para sobreviver, que está seu movimento de cura, de integração, de se tornar árvore frondosa que dá frutos.


É ali. E é só com fé na vida e confiança em si mesmo e no que está para além do que seus olhos podem ver que você pode encontrar os recursos e a coragem para tocar, atravessar e seguir.






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